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As 10 melhores experiências do Guto na viagem!

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A pergunta é quase inevitável: “Qual o lugar do mundo que vocês mais gostaram?”. É comum que, após saberem que nós rodamos o globo, as pessoas tenham essa curiosidade. Mas é uma questão muito difícil de responder. Eu poderia dizer que o melhor lugar do planeta são as praias de Tailândia. Mas aí lembro das praias de Cuba, tão lindas quanto. Poderia dizer que o melhor lugar é Bali, com seu povo extremamente amigável; e logo também me vem à cabeça a recepção calorosa que tivemos na China. Penso na emoção de andar nas ruas de Jerusalém, e depois me recordo do romantismo das vielas parisienses… Nenhum desses lugares é melhor que os outros. Cada um tem sua beleza própria, e cada um nos deixou sua marca.

É muito complexo (pra não dizer impossível) responder qual foi o melhor lugar do mundo para nós. PORÉM, acreditamos que, mais do que lugares, uma viagem traz experiências. E, essas sim, podemos classificar. Por isso decidimos escolher as dez melhores experiências que cada um teve durante a viagem, e compartilhá-las com vocês. Começando com as do Guto. Esperamos que gostem. Aí vai! 😀

PS: O post é longo, pegue uma xícara de chá e aconchegue-se na cadeira. 😉

 

CAFÉ DA MANHÃ EM KOH PHI PHI

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Koh Phi Phi é a ilha mais famosa da Tailândia. E olha que ser a mais famosa entre tantas candidatas a paraíso na Terra não é pouca coisa!

Além das praias maravilhosas, Phi Phi tem algumas das melhores festas do mundo. É entre tardes de sol e noites regadas a baldes de destilados (baldes mesmo, literalmente) que a maioria dos turistas passam seus dias na ilha. Pela manhã, enquanto quase todos estão apagados nas camas dos hotéis, pode-se aproveitar uma praia quase deserta. Era nesse momento que nós íamos ao mercadinho, gastávamos quase nada comprando café, croissant e bolo de banana (bendito Seven Eleven!), e fazíamos a primeira refeição do dia sentados na areia branca em frente ao mar verde transparente.

Um dos momentos da viagem em que me senti mais rico (e obviamente não estou falando de dinheiro).

 

ANO NOVO CHINÊS NO TEMPLO KEK LOK SI

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Adoro quando o Universo conspira para que as coisas deem certo.

Quando chegamos em Penang, Malásia, pretendíamos permanecer na cidade por apenas cinco dias. Mas após descobrirmos que aquela era a semana do Ano Novo Chinês, e que boa parte da população da cidade é chinesa, decidimos adicionar três dias à estadia e curtir melhor o clima do lugar.

Com mais tempo nas mãos não nos apressamos em conhecer a principal atração da cidade, o templo budista Kek Lok Si. De fato, nos enrolamos tanto que a visita ficou para o nosso penúltimo dia em Penang!

Chegamos ao templo no fim da tarde e o encontramos todo enfeitado com coloridas lanternas chinesas. Como manda a tradição, fizemos a Buda pedidos de boa fortuna. Ainda estávamos bobos com a beleza do lugar quando a noite caiu e puf! todas as lanternas acenderam! A iluminação do templo aumentava o destaque de sua parte mais impressionante, a torre do pagoda – que só é aberta à visitação no dia do Ano Novo. Sabíamos que estávamos na semana do Ano Novo Chinês, mas não o dia específico… E adivinha só? Sim! Mesmo sem saber, visitamos o templo no dia exato. Subimos a torre e, enquanto ouvíamos os budistas soando o gongo para comemorar o novo ciclo, sentíamos que a boa sorte de Buda já tinha chegado para nós.

 

DESBRAVANDO CAVERNAS NA CAPADÓCIA

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Caminhar sem rumo foi nossa prática favorita durante toda a viagem. Mas em nenhum lugar fomos tão recompensados por isso quanto na Capadócia.

A Capadócia, na Turquia, é uma região conhecida mundialmente pelas belas paisagens. O terreno árido é pontilhado por curiosas formações rochosas, chamadas chaminés de fadas, que no passado abrigaram os habitantes da região. Até hoje algumas chaminés de fadas são utilizadas como casas e hotéis, mas a maioria é desabitada. Muitas delas fazem parte do Museu a Céu Aberto de Goreme, e recebem centenas de visitantes por dia. O que não sabíamos – e não é citado nos guias turísticos – é que muitas dessas antigas moradias estão abandonadas, em partes remotas da região, aguardando para serem exploradas. Foi em uma das nossas caminhadas sem rumo que descobrimos isso.

Saindo a pé da pequena cidade de Goreme, fomos passear pelas montanhas próximas. Qual não foi nossa surpresa ao encontrarmos, durante o caminho, cavernas, escadas, portas e janelas esculpidas na rocha. Um sítio arqueológico revelando-se ali, bem na nossa frente. Sem ninguém por perto – guias, turistas ou moradores. Só nós, as montanhas e nossas descobertas.

Naquela manhã me senti o próprio Indiana Jones.

 

PERCORRER A VIA CRUCIS

Não é preciso ser cristão, tampouco religioso, para emocionar-se com a Via Crucis. O principal dessa experiência não está em acreditar que Cristo existiu, ou em discutir como foi sua vida. A Via Crucis existe  ̶  fato. E dois mil anos de constantes peregrinações tornam aquele um lugar muito poderoso. Basta ver a pedra onde supostamente Jesus apoiou-se, afundada após ser tocada por milhões de fiéis, para ser arrebatado.

A cidade de Jerusalém por si só já é impressionante: um pedacinho de terra no meio do deserto onde tiveram origem e até hoje convivem três das maiores religiões do planeta. Percorrer as quatorze estações, passando por trechos que parecem intocados desde o ano zero, é surreal.

 

IOGURTE EM PEQUIM

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As melhores experiências não estão apenas nos grandes feitos, nas grandes construções ou nos grandes eventos. Às vezes podem estar num ato simples e cotidiano, como… Tomar iogurte.

Explorando Pequim descobrimos algumas peculiaridades da cidade. Uma delas é o tal iogurte, vendido na porta de praticamente qualquer bodega, envasado em pote de cerâmica e lacrado simplesmente com um pedaço de papel e uma fita elástica. Dá até impressão que o produto é uma tradição milenar na capital chinesa.

Foi preciso um pouco de coragem para descobrir o que havia dentro do pote. Nosso mandarim não anda lá muito bom, então não adiantava perguntar. O único jeito de matar a curiosidade foi experimentando.

Valeu a pena correr o risco – o gosto é bom. Entretanto, o sabor não é o que torna o iogurte de Pequim especial. O melhor de tudo é que, toda vez que eu tomava um desses, me sentia em pleno contato com a cultura chinesa. Primeiro, por experimentar uma iguaria típica. Segundo, por (tentar) me comunicar com os vendedores chineses, e ficar ali trocando gestos e sorrisos até terminar a bebida e devolver o pote.

Guardo ótimas recordações do povo chinês, e o iogurte de Pequim é um dos culpados por isso.

 

TRILHA PARA HUKA FALLS

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Antes de conhecermos a Nova Zelândia as expectativas que tínhamos sobre o país eram enormes. Bom, quem é que assistiu O Senhor dos Anéis e O Hobbit e não se impressionou com as paisagens, não é mesmo? E sabe o que é mais impressionante? A Nova Zelândia SUPEROU nossas expectativas. Cavernas, colinas, vulcões, gêiseres, praias… Visitamos inúmeras atrações naturais que nos deixaram admirados. E a mais marcante foi a trilha para as Huka Falls (Cachoeiras Huka, em português).

Para chegarmos até a cachoeira saímos da cidade de Taupo caminhando, e acompanhamos a trilha natural que margeia o rio Waikato. As águas verde-transparentes e tranquilas do rio são belas e, mais que isso, convidativas. Não levamos roupas de banho para o passeio, mas… Mochileiro dá um jeito, né? O calor era tanto que o negócio foi mergulhar – só com as roupas de baixo. O problema foi a pressa para se vestir de volta enquanto a trilha estava vazia. Hehe.

Chegar às Huka Falls é demais. O rio Waikato se transforma em uma corredeira de água azul, que passa em meio a paredões de pedra e forma um grande volume de espuma ao cair de volta no rio. É a atração natural mais visitada da Nova Zelândia, com razão. Passamos um bom tempo por lá, observando, antes de retornar pela trilha.

Na volta passamos por uma cachoeira de água quente, cheia de banhistas. E a gente sem roupas de banho… Pôxa, quando eu teria outra oportunidade de curtir uma queda de águas termais? O jeito foi deixar as convenções e a vergonha de lado, e mergulhar de cueca mesmo.

Voltei pra casa com o corpo relaxado pela água quente, e o espírito renovado pelo grande dia.

 

O MELHOR CHOCOLATE QUENTE DO MUNDO, EM UM DIA FRIO

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Aconchego. A experiência a seguir pode ser resumida nessa palavra.

O melhor chocolate quente do mundo foi tomado em Trosa, Suécia. Trosa é um vilarejo à beira do mar Báltico, cheio de barcos, casas de madeira coloridas, e árvores com as folhas nas mesmas matizes das casas. Tudo tão certinho que até parece um set de filmagens. Aliás, a Suécia em geral é tão certinha que parece um set de filmagens. E uma das figurantes (ou a protagonista?) é minha irmã, que mora perto de Estocolmo, e nos deu a estadia mais tranquila de toda a viagem. Além de nos oferecer casa, comida e roupa lavada, nos levou para conhecer lugares sensacionais – como Trosa.

Nosso passeio pelo vilarejo foi bonito, e foi frio. Trosa, considerada pelos suecos o fim do planeta, é precisamente o lugar em que o vento faz a curva, e volta soprando gelado. Imagine nossa satisfação ao entrar pra se aquecer numa casa de café tipicamente nórdica, e tomar em família o melhor chocolate quente do mundo.

Aconchego.

 

DE DÉLHI A AGRA DURANTE O DIWALI

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Dos 278 dias da viagem, aquele em que conhecemos o Taj Mahal e vivenciamos o Diwali foi, sem dúvidas, o mais louco. Vou tentar resumir a história.

Começou às 5h da manhã, quando saímos a pé do nosso hotel em Délhi, passamos por Paharganj, o bairro mais maluco do mundo, e chegamos à ferroviária. Demos um olé nos trambiqueiros que tentam passar a perna nos turistas, e embarcamos no trem para Agra, onde fica o Taj Mahal.

O Taj Mahal provavelmente foi o ponto turístico que mais me impactou até hoje. Seja pela beleza do monumento em si, pelo colorido das mulheres de sari, os indianos paparazzi fotografando os turistas, os babuínos no caminho que leva ao templo, a visível poluição do ar… Tudo é impressionante.

Extasiados após a visita, voltamos à ferroviária para o trem de retorno. Tudo ia bem, até descobrirmos que tínhamos que aguardar: o trem estava atrasado. Expostos, deslocados num lugar desconhecido, viramos alvo fácil para toda sorte de aproveitadores. Não vou relatar todos os problemas por que passamos, mas saibam que nessa tarde, esperando o trem, quase desistimos de visitar o resto da Índia!

Após mais de seis horas aguardando, decidimos comprar passagens na classe popular do último trem rumo a Délhi. Apesar do receio pelas recentes notícias de ataques a turistas, as coisas correram bem, e até fizemos amizade com alguns indianos!

O problema é que o trem não parou em Délhi, mas na cidade vizinha. E o problemão é que, além de ser noite, estávamos no feriado religioso do Diwali, e não havia taxistas trabalhando! Graças a Ganesh conseguimos encontrar um tuk-tuk que nos levasse até o hotel. Mas não poderia ser um tuk-tuk normal. Nãããoo. Era o tuk-tuk com o motorista mais doido da história, acelerando ao máximo e furando sinais, enquanto cantarolava uma canção bollywoodiana. E as ruas também não poderiam estar num dia normal. Nãããoo. O Diwali é o Festival das Luzes, e por isso as pessoas estavam festejando, soltando no asfalto bombas que quase capotavam o tuk-tuk.

Meio zonzos, chegamos no hotel pensando em descansar. Até descobrirmos que embaixo da nossa janela também estavam estourando bombas. E que era o próprio pessoal do hotel! O que eu fiz? Ora, fui lá estourar bombas com eles, e fechar com chave de ouro um dos dias mais loucos da minha vida.

 

MERGULHO EM KOH TAO

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Depois de rodar metade do globo você acha que já viu muita coisa… Até chegar em algum lugar que lhe apresente um mundo completamente novo.

Para mim esse lugar foi Koh Tao – mais uma das maravilindas ilhas tailandesas, e meca mundial do mergulho.
Imagine-se nadando na superfície de um mar calmo, com dez metros de água cristalina abaixo de você. Então você coloca os óculos de mergulho, põe o rosto embaixo d’ água, e descobre-se dentro de um wallpaper de computador: corais de todas as formas e tamanhos, cardumes de peixes multicoloridos ao alcance das mãos, raios de sol marcados na água. É de perder o fôlego (tum-dum tsss!). Um universo estranho e, ao mesmo tempo, fascinante, esperando para ser explorado.

Eu já tinha feito bons mergulhos antes (alô, Bombinhas!), mas Koh Tao foi incomparável! Sentir-se dentro do aquário ornamental mais bonito do mundo foi de longe uma das melhores experiências da viagem.

 

AMIGOS PELOS QUATRO CANTOS DO MUNDO

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Imagine como foi difícil, após nove meses tão intensos, selecionar apenas dez entre todas as experiências que vivenciamos. Revisei diversas vezes a lista, sempre me martirizando: “puxa, tantos lugares absurdamente legais que não entraram na lista… o que fazer? oh, decisão cruel!“. Hahaha, ok, exagerei na dramaticidade. Mas não é exagero dizer que em todo lugar por que passamos vivemos alguma experiência que merecia estar nas dez mais. O problema é que são só dez vagas.

Há, no entanto, algo que experienciamos e que não se relaciona com apenas um lugar, mas com todos: fazer amigos. Os amigos foram, sem dúvidas, a alma da nossa viagem. Nos apresentaram aos costumes locais; nos mostraram outras maneiras de ser, ver, viver; abriram nossas mentes; nos divertiram; nos confortaram.

Ao falar dos amigos que encontramos talvez eu faça jus aos lugares que até agora não entraram na lista de experiências. Para citar apenas alguns nomes: Stefan, Lisa, Franco e Cielo na Inglaterra; Federica, Claudia, Max, Sonia e Rubem na Itália; Dora e Magnus na Suécia; Selim na Turquia; o amigo do chá na Jordânia; Matan, Mirian, Nufar e Rinat em Israel; Pooja e Dhanish na Índia; Dek, Putu e Wayan(s) na Indonésia; Gigi no Camboja; Bee e Henry na Malásia; Alex (ou 单飞) na China; os encanadores na Nova Zelândia; Mark e Sean na Austrália; Ruth no Hawaii; Amanda, Brock, Andi e Jeff nos EUA; Michelina e Fabrizio no México; Carlos, mãe do Carlos e Alfredo em Cuba; Juan no Chile. Isso sem falar nos amigos brasileiros, que tivemos o prazer de reencontrar em terras estrangeiras: Ju na Suécia; Cá na Austrália; Mari, Carol e Lilo nos EUA; e a viajante Dani, na Turquia E na China!

O mundo é feito de pessoas, e conhecê-las foi provavelmente a melhor experiência que tivemos. Não sabemos se um dia vamos revê-las, ou sequer saber dos seus destinos… Mas a ligação com elas torna o mundo um lugar muito menor (e melhor) pra gente. 😀

 

3 Comentários / Comments

  1. Hyung Jun Kim

    Fotos muito bem tiradas! Elas me lembram da época que fiz intercâmbio para a China também. Lugares incríveis e momentos inesquecíveis… Essas suas fotos me fez relembrar. Parabéns!

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